Um leigo que às vezes entra na minha página escreveu que me segue há muitos anos, e me descreveu como um padre catequista sem pirotecnia, ostentação, malabarismos e estrelismo…
Bondade dele! Mas nem sempre fui assim. Tive que aprender e mudar!
Ouvi meu superiores, vários bispos e padres mais cultos, leigos mais vividos e, em oito anos, eu tinha mudado meu jeito de encarar a liturgia, a multidão, a mídia, o púlpito, a TV, o Rádio e os desafios da fama que diziam que eu tinha.
Eu tinha estudado tudo isto nos anos 1963/1967. Mas estudar e viver são duas coisas diferentes! Um dos temas estudados em três etapas era a COMUNICAÇÃO, FAMA E NOTORIEDADE. Eu ainda não sabia que seria tão conhecido em tão pouco tempo. Aliás, nunca imaginei isto!
Naquele tempo aconteceram Kennedy, Martin Luther King, Elvis Presley, Frank Sinatra, os Beatles, Marilyn Monroe e grandes fenômenos midiáticos, sobretudo na História, no cinema e também na TV que apenas começava. Nem a cores era.
O resto estourou com as novas invenções, tudo veio rapidamente em 20 anos. A técnica nunca cessou de avançar, para o bem e para o mau.
Mas a vivência de tudo isto foi acontecendo nos encontros com o povo em mais de 40 países. Tive que me reprogramar em 8 anos e aprender a lidar com a NOTORIEDADE.
Fama a gente encara e administra, se tiver RUMO E PRUMO. Mas ser notado, lembrado, incensado, admirado, deturpado, xingado e caluniado, isto ninguém encara sozinho.
Há 2000 anos, em menos de 10 anos os apóstolos passaram por estes desafios. Agora era com eles! Tudo mudou depois da Cruz e da Ressurreição. Começaram a incomodar o império Romano.
Em comunicação, mais cedo ou mais tarde, entram os palpiteiros sem nenhuma leitura; mas também entram os especialistas em comportamento humano, sociologia, teologia e pastoral. É preciso aprender e se programar!
Até os animais precisam ser amansados e treinados para conviver; muito mais os humanos. Sem aprender a GENTILEZA ninguém se torna um bom pregador! Vai ser uma cópia dos BOANERGES: os discípulos que oravam para Deus punir jogando fogo lá do céu!… Só que tem que eles aprenderam e mudaram o discurso! Agora eram pastores de almas e não cuspidores de fogo! Até porque o fogo de Pentecostes era suave e manso. O Espírito Santo não cospe fogo: ele amansa e fraterniza!
Na mídia, no palco, na igreja e no púlpito os primeiros que deveriam aprender ternura e gentileza deveriam ser os pregadores da fé. Lecionei isso por 32 anos. Padre e pastor cuspidor de fogo vive mais de AI DE VÓS do que VINDE A MIM…
Mídia católica se aprende e não se improvisa. Quem morre de amores pelo holofote, microfone e palco sem aceitar aprender com os limites da própria imagem raramente se dá bem. Em poucos anos verá sua imagem se esvair, como numa linda pintura que esmaeceu porque não se preservou do excesso de sol. Perdeu as cores.
Lecionei isso! E hoje, quando me elogiam por eu ter me preservado do excesso de mídia, de internet ou excesso de exposição, eu penso nos padres, bispos e leigos que me alertaram contra os encantos dos holofotes. Isso passaria e passou.
Então, aceito o elogio desse leigo que também não se expõe e tem cerca de 75 anos e também lida com marketing e tem empresa congênere. Mídia eleva e derruba.
É como ser insaciável e guloso e comer quinze fatias de pizza quando bastariam 3 ou 4. Não era fome. Era gula!
Na mídia católica e evangélica muitos estão lá não tanto para melhor anunciar Jesus, mas, porque precisam ser vistos e ouvidos. Apaixonaram-se pela própria imagem. E nem perceberam que estão com a Síndrome de Narciso.
Os gregos assim descreviam a vaidade! Narciso morreu afogado porque achou que aquela imagem era ele… Não teve tempo de aprender…
Pe. Zezinho SCJ (José Fernandes de Oliveira)
Escritor de mais de 300 livros, milhares de artigos e professor de comunicação, pioneiro e referência da música cristã; inúmeras dentre suas mais de duas mil canções (com letras sempre conforme a original doutrina cristã) estão entre as mais cantadas por católicos, evangélicos e outros, ainda que, por vezes, nem sequer saibam ser ele o compositor. Nas décadas de 1960 a 1980 foi considerado o padre cantor mais conhecido do mundo: feitos altamente notáveis, já que jamais se submeteu à mídia convencional, não fez média para agradar e tudo que arrecadou com seus livros, apresentações e discos foi e é destinado a obras sociais. Profundo estudioso e disseminador da história e doutrina da Igreja e das religiões, defensor do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do respeito entre os diferentes. Em 2025 completou 84 anos e há 13 anos, por causa de AVC e outras enfermidades, parou de viajar pelo mundo, reduzindo suas atividades a estudar, compor, escrever e, eventualmente, gravar (raramente com sua voz e somente com pequenas participações).