Em 1965, no curso de verão, em Washington, um dos mestres, analisando os famosos da época, disse: “pessoas e estilos passarão em menos de 20 anos”.
De fato, passaram. Políticos famosos, artistas, cantores, cantoras, dançarinos, musicais, instrumentos, divas, esportistas, pregadores que atraiam multidões… Vinte anos depois tinham passado. Restaram seus filmes dos anos 50 a 90. As gerações de agora nem sabem quem eles foram.
Quando chegou a minha vez de subir ou descer do palco a serviço da catequese, recordei aquelas palavras do meu professor de comunicação.
Passaremos como pássaros! "Life is a short try!" Uma curta tentativa que aos 80 já está se despedindo da vida.
Assim como naquele tempo sobraram poucos os que depois de 20 ou 30 anos ainda atuavam, entendi que a partir de 2010 era hora de dar lugar aos novos. Foi isso que eu fiz. Eu estava enfermo e envelhecendo.
“Better be a nice try”. Melhor que seja uma boa tentativa!
Hoje, quando me prestam homenagens pelos meus 50 ou 60 anos de pregação escrita, falada e cantada, com vídeos, curtas e longas e biografias, já me vi a perguntar: como durei mais de 50 anos com minhas canções, escritos e entrevistas? Mérito meu? É claro que não!
Minha resposta sempre foi realista: - Não sei, não pedi, não planejei e não acho que mereço estes prêmios e aplausos!
Quando falo de mim é para incentivar quem veio agora! Continuo a dizer aos amigos que eu era e ainda sou um acidente que deu certo! Muitíssimos tentaram o mesmo caminho, mas em menos de 15 ou 20 anos nunca mais gravaram nem subiram ao palco. E eram talentosíssimos! Então, por que eu?
Se tanta gente ainda se lembra de minhas canções e livros e shows certamente não foi marketing. Nunca me vali disso. Outros me divulgaram. Foi acontecendo e meus ouvintes e leitores foram lembrando o que cantei ou preguei!
Sabem daqueles carros modelos 1960 que ainda rodam? A lataria ainda está conservada, o motor sofreu alguns reparos, mas ainda estão na estrada!... Aconteceu comigo!
Minha opinião é que nenhum marketing dura tanto. Creio na graça de Deus e nos seus propósitos. Rodarei enquanto Deus quiser, e um dia talvez eu vire sucata ou relíquia de colecionador.
Já fizeram isto comigo! Na sala onde atuo está uma placa: "Memorial Padre Zezinho SCJ". Já sou memorial!
Sou realista a respeito de fama. A 110 metros do meu escritório e do meu memorial há um cemitério. Já imaginei a gaveta onde guardarão minhas cinzas ou meus ossos! E daí? Certamente não chegarei aos 100 anos. Aquela gaveta espera meus ossos!
Sou nuvem passageira! Todos somos! Passaremos daqui para lá! Este “lá“ está descrito em Mateus 25, 31-46! E espero que este “lá” seja o Céu! Não há nada de lúgubre ou fúnebre nisso. O que há é catequese católica!…
Pe. Zezinho SCJ (José Fernandes de Oliveira) - https://www.facebook.com/padrezezinhoscj
Escritor de mais de 300 livros, milhares de artigos e professor de comunicação, pioneiro e referência da música cristã. Inúmeras dentre suas mais de duas mil canções (com letras sempre conforme a original doutrina cristã) estão entre as mais cantadas por católicos, protestantes, evangélicos e outros, ainda que, por vezes, nem sequer saibam ser ele o compositor. Foi considerado o padre cantor mais conhecido do mundo: feitos altamente notáveis, já que jamais se submeteu à mídia convencional, não fez média para agradar e tudo que arrecadou com seus livros, apresentações e discos foi e é destinado a obras sociais. Profundo estudioso e disseminador da história e doutrina da Igreja e das religiões, defensor do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do respeito entre os diferentes. Em 2026 completa 85 anos. Em 2010 encerrou sua rotina de viagens e apresentações. Do quarto com escritório onde mora desde sua ordenação sacerdotal, em Taubaté SP, continua estudando, compondo, escrevendo e gravando - raramente com sua voz e somente com pequenas participações.