Conto esta história para mostrar minha formação ecumênica.
Minha irmã, que era 'filha de Maria', ao casar, deixou de ser católica e adotou a Igreja do marido; um grande cunhado, excelente homem, respeitoso para com nossa Igreja. Mas ela decidiu frequentar os metodistas.
Na minha casa não se discutia religião. Vivia-se. Tiveram cinco filhos e cada qual teve o respeito da mãe e do pai ao escolherem sua própria igreja!
Maria da Conceição tinha um amor imenso pela mãe de Jesus, mas seguia o marido. Anos depois, acometida de diabetes, a mesma enfermidade que levou minha mãe, Valdivina, que também levou meus tios e está exigindo cuidados imensos de mim, numa tarde ensolarada ela me chamou.
Felizmente, eu não estava em viagens de pregação. Fui vê-la.
Assim como minha mãe e meu pai, ela previu que chegara sua hora. Foi uma conversa de irmã e irmão padre. Meu cunhado retirou-se para nos deixar a sós.
Sabendo da amizade do pastor Elcio, aconselhei-a a chamar o seu pastor, já que ela tinha escolhido outro pastor para sua vida. Eu era mais do que seu pastor nesta terra: eu era seu irmão caçula de quem sentia enorme orgulho.
Pastor Elcio chegou e administrou os ritos da sua Igreja, rito quase igual à da minha! Rezamos juntos. Naquela mesma madrugada ela foi morar com Jesus.
Se eu acho que ela está no Céu? Sim, eu acho! Se acho que ela agora vive com Jesus e com os santos? Acho! Se lá no Céu ela está com o Jarmuth, seu esposo que viveu 98 anos? Sim.
No Céu é tudo diferente. Vale o quanto respeitamos e amamos as pessoas. Vale a caridade.
Ela sabia o que está escrito em Mateus 25,31-46. Eu, indo para os 85 anos, espero estar indo para o mesmo lugar onde meus pais e meus irmãos estão. Só sobrei eu aqui na terra. Todos eles já se foram. Todos receberam avisos. Todos me disseram que estavam indo. Não vi nenhum medo neles!
Acho que alguém do Céu avisa quem chegou aos últimos dias ou momentos.
Sou um padre católico e não sou dono de almas. Nem mesmo da minha. É por isso que rezo todos os dias, na Ave Maria: 'Roga por nós, pecadores, agora e naquela hora final'. Esta hora chegará para mim e para você que está lendo esta minha postagem!
Minha irmã Maria sabia! Meus pais sabiam. Meus irmãos sabiam.
Já cantei isso:
'Viver como quem sabia que iria morrer, morrer como quem sabia que iria viver!'
Ao lado de Jesus e aonde Ele foi e onde Ele está...
Pe. Zezinho SCJ (José Fernandes de Oliveira)
Escritor de mais de 300 livros, milhares de artigos e professor de comunicação, pioneiro e referência da música cristã. Inúmeras dentre suas mais de duas mil canções (com letras sempre conforme a original doutrina cristã) estão entre as mais cantadas por católicos, protestantes, evangélicos e outros, ainda que, por vezes, nem sequer saibam ser ele o compositor. Foi considerado o padre cantor mais conhecido do mundo: feitos altamente notáveis, já que jamais se submeteu à mídia convencional, não fez média para agradar e tudo que arrecadou com seus livros, apresentações e discos foi e é destinado a obras sociais. Profundo estudioso e disseminador da história e doutrina da Igreja e das religiões, defensor do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do respeito entre os diferentes. Em 8 de junho de 2026 completará 85 anos. Em 2010 encerrou sua rotina de viagens e apresentações. Do quarto com escritório onde mora desde sua ordenação sacerdotal, em Taubaté SP, continua estudando, compondo, escrevendo e gravando - raramente com sua voz e somente com pequenas participações.