A necessidade do equilíbrio está na vida, na fé, na família, no amor, no namoro, nas amizades, no esporte, no mar, no ar, nas montanhas, na estrada, na pista, circo, no malabarismo, em quase tudo. Quem perde o equilibrio vai prejudicar a si e aos outros.
Mas, sobretudo na fé, na política, no púlpito, no altar e onde quer que alguém ache que foi chamado por Deus para pregar a paz e a fraternidade, é ali que se distingue entre o pregador equilibrado e o intempestivo.
Pregador de microfone em punho, seja sacerdote, leigo ou leiga, em qualquer religião ou igreja, é um desastre. Age como o sujeito armado e de revolver engatilhado a gritar e a provocar os ouvintes sob o pretexto de corrigir costumes.
Gritar contra o ouvinte já é um mau costume. Tal pregador poderia dizer as mesmas verdades como quem conversa lado a lado e como irmão e não como quem grita de cima para baixo.
Os púlpitos estão mais acima da assembleia não para mostrar superioridade, mas para que pregador e povo se comuniquem como irmãos e irmãs.
Quando o pregador começa a gritar ou impor comportamentos é porque não teve um bom curso de teologia moral ou não aceitou as normas da boa pregação. Podemos pregar as verdades cristãs sem impor. Jesus fazia isto. Mas ultimamente virou praxe gritar e pregar de cima para baixo, isto em muitíssimas igrejas.
Sem compaixão e misericórdia o pregador faz o contrário de Jesus.
Os fariseus acusadores estavam de pé e prontos para apedrejar a mulher prostrada. Jesus, o libertador e mestre, foi ele quem se curvou perante a mulher, esta agora em pé. Aquilo sim foi pregação, psicologia e pedagogia.
Faz sessenta anos que ensino isto aos meus ouvintes e alunos. Púlpito não é para esbravejar e sim para dialogar!
Pe. Zezinho SCJ (José Fernandes de Oliveira)
Escritor de mais de 300 livros, milhares de artigos e professor de comunicação, pioneiro e referência da música cristã. Inúmeras dentre suas mais de duas mil canções (com letras sempre conforme a original doutrina cristã) estão entre as mais cantadas por católicos, protestantes, evangélicos e outros, ainda que, por vezes, nem sequer saibam ser ele o compositor. Foi considerado o padre cantor mais conhecido do mundo: feitos altamente notáveis, já que jamais se submeteu à mídia convencional, não fez média para agradar e tudo que arrecadou com seus livros, apresentações e discos foi e é destinado a obras sociais. Profundo estudioso e disseminador da história e doutrina da Igreja e das religiões, defensor do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do respeito entre os diferentes. Em 8 de junho de 2026 completará 85 anos. Em 2010 encerrou sua rotina de viagens e apresentações. Do quarto com escritório onde mora desde sua ordenação sacerdotal, em Taubaté SP, continua estudando, compondo, escrevendo e gravando - raramente com sua voz e somente com pequenas participações.