A Oração aos Moços, de Rui Barbosa, é um dos textos mais emblemáticos da tradição jurídica e moral brasileira. Escrita em 1920 como discurso de formatura para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde ele próprio se formara décadas antes. Ele enviou o discurso, que foi lido pelo professor Reynaldo Porchat, pois, enfermo, não poderia comparecer.
No texto, Rui Barbosa incentiva os jovens a cultivarem a integridade, a coragem moral e o compromisso com a verdade. Ele alerta contra as tentações do poder, da vaidade e da corrupção, defendendo que o caráter vale mais que o talento. A justiça, para ele, não deve ser instrumento dos fortes, mas proteção dos fracos, sendo o Direito um meio de equilíbrio social.
A obra também enfatiza a importância da responsabilidade individual. Rui insiste que cada pro fissional deve agir com consciência, mesmo diante de pressões políticas ou interesses pessoais. A dignidade, segundo ele, é construída por escolhas firmes e coerentes ao longo da vida.
A obra se tornou um clássico e resultou numa espécie de guia ético e moral para os novos bacharéis.
Rui Barbosa (1849–1923) foi um dos maiores juristas, políticos e intelectuais do Brasil. Nascido em Salvador, destacou-se como advogado, jornalista, diplomata e senador. Foi defensor ardoroso das liberdades civis, da República e do Estado de Direito.
Por sua atuação brilhante na 2ª Conferência Internacional da Paz, 1907, em Haia - Países Baixos (Holanda) - ganhou reconhecimento internacional e recebeu o cognome de Águia de Haia. Apelido criado pelo Barão do Rio Branco, destacando sua inteligência e defesa da igualdade entre as nações, defendendo o papel dos países menores no direito internacional.
Oração aos Moços, em sua versão integral e na forma de livro, conta com sessenta a cento e vinte páginas (conforme a edição). É fácil encontrar em livrarias físicas e virtuais.
A obra transcende o contexto acadêmico, permanece atual como um guia ou chamado à ética, à justiça e à honra, especialmente para aqueles que assumem responsabilidades na vida pública; mas, também, na vida privada.
Frases contidas em Oração dos Moços:
“Mas, senhores, os que madrugam no ler, convém madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o refletir. O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas idéias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas.”
“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
"Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta".
"O primeiro de todos os deveres do homem, aonde quer que o leve a sua vocação ou a sua sorte, é a sinceridade, a verdade, a conformidade entre o que diz e o que sente, entre o que obra e o que diz."
Esta última está contida nas Obras Completas de Rui Barbosa, Vol. XXXIX, Tomo IV.
A História da humanidade é marcada pelos excelentes e determinantes testemunhos e contributos de incontáveis pessoas: entre anônimas e conhecidas, todas, importantes! E seus exemplos e feitos são combustível para ajudar a conservar a vontade e o entusiasmo das pessoas de bem - hoje e sempre.
Um século depois de Rui Barbosa, na sua percepção, ele ficaria frequentemente orgulhoso ou pesaroso ante as falas e ações comuns entre nossos líderes e representantes (e cidadãos em geral)?
José Carlos de Oliveira