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Oração aos Moços
Por Administrador
Publicado em 22/04/2026 11:33 • Atualizado 22/04/2026 11:40
Cidadania e política

A Oração aos Moços, de Rui Barbosa, é um dos textos mais emblemáticos da tradição jurídica e moral brasileira. Escrita em 1920 como discurso de formatura para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde ele próprio se formara décadas antes. Ele enviou o discurso, que foi lido pelo professor Reynaldo Porchat, pois, enfermo, não poderia comparecer.

No texto, Rui Barbosa incentiva os jovens a cultivarem a integridade, a coragem moral e o compromisso com a verdade. Ele alerta contra as tentações do poder, da vaidade e da corrupção, defendendo que o caráter vale mais que o talento. A justiça, para ele, não deve ser instrumento dos fortes, mas proteção dos fracos, sendo o Direito um meio de equilíbrio social.

A obra também enfatiza a importância da responsabilidade individual. Rui insiste que cada pro fissional deve agir com consciência, mesmo diante de pressões políticas ou interesses pessoais. A dignidade, segundo ele, é construída por escolhas firmes e coerentes ao longo da vida.

A obra se tornou um clássico e resultou numa espécie de guia ético e moral para os novos bacharéis.

Rui Barbosa (1849–1923) foi um dos maiores juristas, políticos e intelectuais do Brasil. Nascido em Salvador, destacou-se como advogado, jornalista,      diplomata e senador. Foi defensor ardoroso das liberdades civis, da República e do Estado de Direito. 

Por sua atuação brilhante na 2ª Conferência Internacional da Paz, 1907, em Haia - Países Baixos (Holanda) - ganhou reconhecimento internacional e recebeu o cognome de Águia de Haia. Apelido criado pelo Barão do Rio Branco, destacando sua inteligência e defesa da igualdade entre as nações,  defendendo o papel dos países menores no direito internacional.

Oração aos Moços, em sua versão integral e na forma de livro, conta com sessenta a cento e vinte páginas (conforme a edição). É fácil encontrar em livrarias físicas e virtuais.  

A obra transcende o contexto acadêmico, permanece atual como um guia ou chamado à ética, à justiça e à honra, especialmente para aqueles que assumem responsabilidades na vida pública; mas, também, na vida privada. 

 

Frases contidas em Oração dos Moços:

“Mas, senhores, os que madrugam no ler, convém madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o refletir. O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas idéias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas.”

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

"Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta".

"O primeiro de todos os deveres do homem, aonde quer que o leve a sua vocação ou a sua sorte, é a sinceridade, a verdade, a conformidade entre o que diz e o que sente, entre o que obra e o que diz." 

Esta última está contida nas Obras Completas de Rui Barbosa, Vol. XXXIX, Tomo IV.

 

A História da humanidade é marcada pelos excelentes e determinantes testemunhos e contributos de incontáveis pessoas: entre anônimas e conhecidas, todas, importantes! E seus exemplos e feitos são combustível para ajudar a conservar a vontade e o entusiasmo das pessoas de bem - hoje e sempre.

Um século depois de Rui Barbosa, na sua percepção, ele ficaria frequentemente orgulhoso ou pesaroso ante as falas e ações comuns entre nossos líderes e representantes (e cidadãos em geral)?

 

José Carlos de Oliveira

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