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Apenas uma vela bruxuleante!
Por Administrador
Publicado em 23/07/2026 17:25
Fé, religião e espiritualidade

É bom saber que houve e há padres que atraíram e atraem milhões de fiéis para ouvi-los. Eu nunca fui um deles. Meus dons eram menores! 

Perguntaram se eu já fui o padre mais famoso do Brasil. A resposta foi clara: 

- Nunca fui, não era, não sou e nunca serei. 

Ser conhecido não é ser famoso. Já respondi que todas as vezes em que cantei e preguei para grandes multidões quem reuniu o povo foram os bispos, foi o movimento ou a data litúrgica.  

Eu apenas fui lá para motivar. Porém, aquela gente não veio lá por causa de mim. 

De fato, aqueles milhões de olhos e ouvidos nunca foram lá só para me ver ou cantar comigo. É verdade que o convidado era eu, mas eu não era o convidador.

Quando  passava de cem mil fiéis, ou era festa de Jesus Cristo e de Nossa Senhora. Não era eu a reunir aquela gente!  

Se tive algum mérito é que sempre fiz questão  de produzir um bom espetáculo de arte e catequese. Isto eu sabia fazer. Estudei comunicação para isso!

Eu levava bons cantores e excelentes instrumentistas comigo. As canções eram da minha autoria, mas só ficavam bonitas porque meus jovens tocavam, dançavam e cantavam bem.  

Eu pedia que os holofotes iluminassem meus jovens. Eu já era bem conhecido! Agora era a vez de mostrar os novos talentos da Igreja Católica! Eu revelava novos talentos. A pastoral de juventude exigia isto! 

Eu era o pregador, mas o show ficava bonito por causa dos bons artistas que eu reunia!

Então, nunca fui o padre mais popular, nem o mais famoso, nem o melhor. Meu mérito estava em unir arte e mensagem.  Eu não era o artista. Mas eles eram. Para mim bastava ser o padre catequista! Quem viu meus shows sabe que era assim! Eram duas horas de catequese cantada! 

O tema era sempre o CIC, o CVII e a DSI. Eu era e queria ser um bom atualizador e um razoável  repercutidor da catequese católica.

Catechein, de onde vem a palavra catecismo ou catequizar ou catequista significa: repercutir, passar a mensagem adiante!   

Acho que eu era e ainda acho que sou um padre preocupado  em passar adiante o que a Igreja está dizendo naquele momento!   

Neste contexto penso que fui e ainda sou um mensageiro que descobriu para que servem os instrumentos, a canção, a mensagem e o diálogo. 

Acho que fui e ainda sou  um pavio fino que emitia e ainda emite alguma luz. 

Acho que minha missão era  viajar pelo mundo para acender outras tochas, outras velas e outros pavios!… Fiz no Brasil e lá fora!

Acender  pavios nunca foi fácil e continua não sendo! Há rajadas e ventos furiosos ao redor dos púlpitos de agora!…

 

Pe. Zezinho SCJ

 

Tendo lido e pensado sobre este texto, escreveu o Pe. Rodrigo:

 

 

Querido Pe. Zezinho.

Vivemos um tempo em que a sociedade costuma confundir alcance com relevância, audiência com autoridade e fama com legado.

Jô Soares dominou as madrugadas. Silvio Santos reinventou os domingos. Faustão acelerou o ritmo da televisão. Gugu Liberato emocionou famílias. Chacrinha rompeu todas as regras do espetáculo. Cada um foi grande no seu universo.

O senhor fez algo diferente: entrou nas casas sem disputar ibope. Enquanto muitos procuravam aplausos, o senhor semeava perguntas; enquanto o mundo fabricava fãs, o senhor ajudava a formar discípulos.

A televisão mede sucesso por pontos. O Evangelho mede por frutos.

Talvez o Brasil nunca tenha entendido que existem pessoas que se tornam patrimônio de uma nação sem jamais depender da lógica das celebridades. O senhor pertence a essa rara categoria.

Há artistas que deixam bordões. Há comunicadores que deixam programas. O senhor deixou canções que continuam rezando quando seus autores já desceram do palco. Deixou catequistas, padres, famílias e comunidades que aprenderam a cantar a fé antes mesmo de compreender toda a sua teologia.

Uma vela bruxuleante? Talvez.

Mas a história ensina que civilizações inteiras atravessaram a noite guiadas por uma única chama. E a luz nunca precisou fazer barulho para vencer a escuridão.

Obrigado por recordar ao Brasil que a missão mais importante não é ser lembrado como celebridade, mas reconhecido por Deus como servo fiel.

 

Pe. Rodrigo Rodrigues

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